A primeira moto

A vida embora muito boa comigo, nunca foi muito fácil, mas este não é um privilégio apenas meu, muitos no meu circulo de amizade tiveram e têm vivência semelhante a minha.

A vida não era fácil mas era boa como já disse. Durante a infância eu não tive bicicleta, carrinhos elétricos, coisas com controle remoto e nem mesmo jogos muito elaborados, mas em compensação tinha uma criatividade incrível para inventar brinquedos e brincadeira, claro, quando dava tempo pra brincar.

Eu comecei a trabalhar muito cedo. Aos 9 anos de idade eu já tinha a obrigação de buscar lenha para abastecer o fogão e o aquecimento de água que era através de serpentina dentro do fogão a lenha. Também tinha o compromisso de capinar, plantar, colher e vender a colheita e também de estudar. Ou seja, dia cheio e todos os dias.

Aos quinze anos de idade saí do interior da minha querida cidade de Sabará em Minas Gerais e na lona de um caminhão fui parar em São Paulo. Cheguei num dia e uns três ou quatro dias depois já estava trabalhando na empacotadora Grão de Ouro. Dias duros, muito duros pois eu não aguentava carregar os sacos de 50, 60 quilos para abastecer as máquinas que empacotavam de 5 em 5 quilos. Então eu arrastava e pedia ajuda para outros assim como eu também não aguentavam, mas nos ajudávamos e assim tornávamos o trabalho mais leve.

O tempo passou, trabalhei em outros lugares, outras cidades, outras empresas e aos 19 anos, quer dizer 18 anos, 11 meses e 4 dias me apresentei para servir nas fileiras do Exército Brasileiro. 4ª Companhia de Polícia do Exército da 4ª RM.

Abria-se uma das maiores portas da minha vida!

Os dias passavam e “ralávamos, ralávamos muito”, mas era “fichinha” diante do que eu já havia vivido antes até chegar ali, mas um belo dia fui escalado para lavar a Harley Davidson 1200cc ano 1975 da companhia.